domingo, 18 de janeiro de 2015

História e Territorialidade

1- Identidade Territorial em Haesbaert

  • Rogério Haesbert Costa (1999) sinaliza três vertentes conceitos para território: 1) jurídico-política definido por delimitações e controles de poder, especialmente o de caráter estatal 2) a cultura (ista), visto como produto de apropriação resultante do imaginário e/ou “identidade social sobre o espaço”; 3) a economia, destacado pela desterritorialização como produto do confronto entre classes sociais e da relação capital-trabalho.
  • Para Rogério Haesbaert Costa (1999) a identidade territorial é uma identidade social definida fundamentalmente através do território, ou seja, dentro de uma relação de apropriação que se da tanto no campo das ideias quanto no da realidade concreta. As identidades territoriais surgem a partir de um processo de apropriação do homem pelo espaço, onde o mesmo estabelece sua individualidade.

2- Memória e o Território

  • Para Michael Pollak (1992), considerando Maurice Halbwachs, a memória deve ser entendida também, ou, sobretudo, como um fenômeno coletivo e social, construída a partir de um fenômeno coletivo e submetido a flutuações, transformações e mudanças constantes. A construção dessa memória é realizada por diferentes formas metodológicas, por pesquisadores que utilizam também a História Oral como forma de registrar sobre as singularidades, identidades e origens de determinadas comunidades;
  • Através do que Michael Pollak (1992), denomina de “acontecimentos vividos por tabela”, temos a transformação dessa Memória passando de geração por geração;
3- Lugares Antropológicos

  • Reservamos o termo “lugar antropológico” àquela construção concreta e simbólica do espaço que não poderia dar conta, somente por ela, das vicissitudes e contradições da vida social, mas à qual se referem todos aqueles a quem ela designa um lugar, por mais humilde e modesto que seja. (AUGÉ, 2012:51) 
  • Em oposição aos não-lugares está o espaço antropológico, necessariamente criador de identidade, fomentador de relações interpessoais, move-se num tempo e no espaço estritamente definidos é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem observa. É criador de identidade por trazer em si o lugar do nascimento, da intimidade do lar, das coisas que são nossas. Demarca, de forma precisa, as fronteiras entre eu e os outros. 
4- Não-lugares

  • Marc Augé define Não-lugar como um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade; 
  • Marc Augé (2012) afasta-se do termo pós modernidade preferindo utilizar a palavra supermodernidade para dar a ideia de continuidade. Na modernidade atual observamos mais fatores de aceleração, como do tempo, do que de ruptura. A palavra pós-moderna parece mais descritiva que analítica, mas pode-se entender o que acontece desde a modernidade, desde o excesso. Tem que se pensar ao mesmo tempo a sociedade e a humanidade, e é arriscado pensar apenas a partir do respeito à diversidade. É preciso pensar a cultura, a diversidade, a identidade sempre em movimento, nunca de maneira fixa.
Bibliografia


AUGÉ. Marc. Não Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. 9ª Edição, Papirus, Campinas, 2012.

COSTA, Rogério Haesbaert. Des-territorialização e identidade: a rede “gaúcha” no nordeste. EDUF, Niterói, 1999.

NORA, Pierre. Entre Memória e História, a problemática dos lugares. Projeto História (10), Dezembro, 1993

POLLAK, M. Memória e Identidade Social. Estudos Históricos. Vol. 5, N.10, p. 200-2012, Rio de Janeiro, 1992.


OBS: Em nossa página sobre Metodologia Científica vamos propor um método de estudos para territorialidade.

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