domingo, 8 de dezembro de 2013

História Comparada- Conceito e Historiografia


Conceito: é uma metodologia histórica que se encontra em desenvolvimento no Brasil

Para Paul Veyne a metodologia comparativa foi essencial para a renovação das pesquisas históricas (VEYNE, 2008:21)

Vertentes da História Comparada

Weber: Podemos pontuar que as historiadoras Neyde Theml e Regina Bustamente convergem, em seus estudos, com as ideias do historiador Peter Burke, ao assinalar que o viés comparativo se desenvolveu no campo sociológico através dos trabalhos de Max Weber. Já Peter Burke, o método comparado teria entrado em voga na teoria social, durante o século XIX. Por meio de análises comparadas sobre os pontos de divergências entre cada cultura, Weber, traçou as similitudes das práticas capitalistas. A vertente Weberiana comparativa almejaria analisar sociedades de períodos distintos, para encontrar os pontos comuns e os elementos que são singulares. A corrente citada pode ser compreendida atuando através do conhecimento daquilo que é singular/específico em determinado grupo, mediante o conhecimento do que estaria ausente ou presente nas outras sociedades.

Freud: Em Totem e tabu, obra do começo do século XIX, verificamos que o autor estabelece uma análise comparativa entre os práticos e formas de organização dos indivíduos considerados "primitivos" em diversas sociedades, mas tendo como base os nativos da Austrália. O interessante nas análises de Freud é aquele também se vale da comparação ao observar segmentos sociais europeus tidos como "civilizados". Sua linha comparativa aponta uma reflexão sobre as especificidades existentes.

Nobert Elias: O sociólogo alemão Nobert Elias, na obra "O processo civilizador", valeu-se de método comparativo entre sociedades tidas como "complexas" e "menos complexas". O autor centra sua comparação nas diferenças temporais e espaciais. Para o historiador José D'Assunção Barros, podemos detectar semelhanças entre os trabalhos de Elias e Weber, pois ambos sociólogos se valeram de uma abordagem centrada na historicidade das sociedades pesquisadas. 

Marc Bloch: Analisando os escritos de Theml e Bustamente, encontramos considerações sobre o método comparativo do historiador francês Marc Bloch, que difere da abordagem weberiana de comparação. Para as duas pesquisadoras, na vertente comparada de Bloch haveria uma concentração de análises nas similitudes das sociedades estudadas e as culturas refletidas, que tenderiam a ser próximas geograficamente e contemporâneas.

Marcel Detienne: Foi um historiador francês e organizador, junto a Jean-Pierre Vernant, do Centro de Pesquisas Comparadas sobre as antigas. A Abordagem de Detienne se concentra em analisar o que seria heterogêneo, nas suas produções (antropologia). Propõe que a pesquisa histórica elabore comparações pautadas em recortes espaciais e temporais considerados diferentes. Essa metodologia pode ser aplicada em reflexões relacionadas a sociedades antigas e na atualidade, nas consideradas simples e nas complexas, podemos afirmar que a tal enfoque se centra nas especificidades culturais.

OBS: Estes apontamentos foram elaborados com base na aula do Prof. Msc. Carlos Eduardo Campos, na UERJ, do NEA (Núcleo de Estudos Antigos).


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