quinta-feira, 28 de julho de 2016

Campo Histórico - José D'Assunção Barros

Voltando atualizar nossa página sobre Teoria da História, abrimos essa nova etapa com o Quadro - O Campo de História, de José D'Assunção Barros, em que se prima uma discussão teórica metodológica de grande valia para os trabalhos acerca deste campo. O Quadro esta referenciado na obra O Campo da História: Especialidades e Abordagens, na página 19, Quadro 1:


Fonte: BARROS, José D'Assunção. O Campo da História - Especialidades e Abordagens, 9ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis, 2013

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Esfera Teórica de Michael Pollak

Esfera criada a partir da leitura das obras: Memória e Identidade Social / Memória, Esquecimento e Silêncio....

---> Em postagens futuras, apresentaremos estudos separados sobre cada uma das obras citadas acima.



Fonte Complementar:  Inspiração na apresentação dJoice Henck para a disciplina "Mídia, memória e esquecimento", profª Ana Paula Goulart Ribeiro. ECO/UFRJ

domingo, 19 de abril de 2015

Livros que Inventaram o Brasil - Por Fernando Henrique Cardoso

Muitos conhecem apenas o Presidente Fernando Henrique Cardoso, porém este apresenta grande importância dentro da produção acadêmica no país, especificamente na área da Sociologia e História. Resolvi apresentar um artigo que acho muito interessante do estudioso e não do presidente, o artigo Livros que Inventaram o Brasil, publicado na Revista semestral da Associação de Pesquisa e Documentação Histórica (APDOC) lançada em 1988, Estudos Históricos analisa a história do Brasil sob uma perspectiva multidisciplinar, em artigos que cobrem os mais diversos campos do conhecimento,como História, Antropologia, Sociologia, Literatura, Filosofia e Política. A Edição é de Novembro de 1993, interessante, poucos anos antes da Implantação do Real no Brasil. Convido a lermos a obra que foca em autores como Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior. Leituras obrigatórias para as pessoas da área de humanas, focadas nos estudos da sociedade brasileira.




domingo, 18 de janeiro de 2015

História e Territorialidade

1- Identidade Territorial em Haesbaert

  • Rogério Haesbert Costa (1999) sinaliza três vertentes conceitos para território: 1) jurídico-política definido por delimitações e controles de poder, especialmente o de caráter estatal 2) a cultura (ista), visto como produto de apropriação resultante do imaginário e/ou “identidade social sobre o espaço”; 3) a economia, destacado pela desterritorialização como produto do confronto entre classes sociais e da relação capital-trabalho.
  • Para Rogério Haesbaert Costa (1999) a identidade territorial é uma identidade social definida fundamentalmente através do território, ou seja, dentro de uma relação de apropriação que se da tanto no campo das ideias quanto no da realidade concreta. As identidades territoriais surgem a partir de um processo de apropriação do homem pelo espaço, onde o mesmo estabelece sua individualidade.

2- Memória e o Território

  • Para Michael Pollak (1992), considerando Maurice Halbwachs, a memória deve ser entendida também, ou, sobretudo, como um fenômeno coletivo e social, construída a partir de um fenômeno coletivo e submetido a flutuações, transformações e mudanças constantes. A construção dessa memória é realizada por diferentes formas metodológicas, por pesquisadores que utilizam também a História Oral como forma de registrar sobre as singularidades, identidades e origens de determinadas comunidades;
  • Através do que Michael Pollak (1992), denomina de “acontecimentos vividos por tabela”, temos a transformação dessa Memória passando de geração por geração;
3- Lugares Antropológicos

  • Reservamos o termo “lugar antropológico” àquela construção concreta e simbólica do espaço que não poderia dar conta, somente por ela, das vicissitudes e contradições da vida social, mas à qual se referem todos aqueles a quem ela designa um lugar, por mais humilde e modesto que seja. (AUGÉ, 2012:51) 
  • Em oposição aos não-lugares está o espaço antropológico, necessariamente criador de identidade, fomentador de relações interpessoais, move-se num tempo e no espaço estritamente definidos é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem observa. É criador de identidade por trazer em si o lugar do nascimento, da intimidade do lar, das coisas que são nossas. Demarca, de forma precisa, as fronteiras entre eu e os outros. 
4- Não-lugares

  • Marc Augé define Não-lugar como um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade; 
  • Marc Augé (2012) afasta-se do termo pós modernidade preferindo utilizar a palavra supermodernidade para dar a ideia de continuidade. Na modernidade atual observamos mais fatores de aceleração, como do tempo, do que de ruptura. A palavra pós-moderna parece mais descritiva que analítica, mas pode-se entender o que acontece desde a modernidade, desde o excesso. Tem que se pensar ao mesmo tempo a sociedade e a humanidade, e é arriscado pensar apenas a partir do respeito à diversidade. É preciso pensar a cultura, a diversidade, a identidade sempre em movimento, nunca de maneira fixa.
Bibliografia


AUGÉ. Marc. Não Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. 9ª Edição, Papirus, Campinas, 2012.

COSTA, Rogério Haesbaert. Des-territorialização e identidade: a rede “gaúcha” no nordeste. EDUF, Niterói, 1999.

NORA, Pierre. Entre Memória e História, a problemática dos lugares. Projeto História (10), Dezembro, 1993

POLLAK, M. Memória e Identidade Social. Estudos Históricos. Vol. 5, N.10, p. 200-2012, Rio de Janeiro, 1992.


OBS: Em nossa página sobre Metodologia Científica vamos propor um método de estudos para territorialidade.

sábado, 1 de março de 2014

Conceito de Identidade: Social e Psicologia

CONCEITO DE IDENTIDADE: Social e Psicologia
Profª Ludmila Pena Fuzzi

Considerando todo o histórico da formação da sociedade brasileira, tendo em vista obras que ressaltam sobre esta temática[1], observamos a diversidade cultural brasileira, e os estudos dessa diversidade passam pela definição das identidades étnicas, regionais, entre outras. A noção de identidade tornou-se um dos conceitos mais importantes ao final do século XX e início do XXI, e estes significados fundamentarão de forma profícua as linhas de análise teórica a serem seguidas neste trabalho.
A noção de identidade contém duas dimensões: a pessoal e a social[2]. Para esta pesquisa a Identidade Social e a Antropológica que fornecerá um respaldo importante. Para Silvia T. Maurer Lane (1991:12) na Psicologia Social, a identidade social é o que caracteriza cada indivíduo como pessoa e define o comportamento humano influenciado socialmente. Complementando, Kalina Vanderlei Silva (2006:203), a identidade social é o conjunto de papéis desempenhados pelo sujeito per si. Papéis que, além de atenderem a determinadas funções e relações sociais, têm profunda representação psicológica por se referirem sempre às expectativas da sociedade.
O antropólogo social Roberto DaMatta (1986:11), a construção da identidade social é feita de afirmativas e negativas, a partir dos posicionamentos dos indivíduos diante das situações do cotidiano. Ainda, ressalta que uma pessoa cria sua identidade ao se posicionar diante das instituições, ao responder às situações sociais mais importantes da sociedade. Já para os estudiosos Parry Scott e George Zarur (2003), o conceito de identidade é muito importante para a compreensão do mundo globalizado, em que o enfraquecimento dos Estados Nacionais tem gerado a fragmentação das identidades nacionais e ressurgimento de outras identidades de gênero, étnicas, justamente dessa fragmentação.
Ao considerarmos essas diferentes identidades, podemos entender que para os estudos referente aos Quilombos é necessário explicitar e figurar as características individuais e coletivas dos grupos étnicos estudados. No caso da comunidade Tamandaré, buscaremos essas características, demonstrando os perfis de formação étnica do grupo analisado.

Referências Bibliográficas

DA MATTA, Roberto. Carnavais, Malandros e Heróis: para uma sociologia do Dilema Brasileiro, 6ª Edição, Rocco, Rio de Janeiro, 1997

LANE, Silvia T. Maurer O que é Psicologia social. Brasiliense. São Paulo, 1991.

SCOTT, Parry; ZARUR, George (orgs.) Identidade, fragmentação e diversidade na América Latina, Ed. Universitária - UFPE, Recife, 2003.

SILVA, Kalina Vanderlei. SILVA, Maciel Henrique (orgs.) Dicionário dos Conceitos Históricos, Contexto, São Paulo, 2006




[1] DA MATTA, Roberto. Carnavais, Malandros e Heróis: para uma sociologia do Dilema Brasileiro, 6ª Edição, Rocco, Rio de Janeiro, 1997. HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 6ª Edição. Coleção Documentos Brasileiros. Livraria José Olympio Editôra, Rio de Janeiro: 1971. FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. 27ª Edição. São Paulo, Editora Record, 1979.

[2] Antropólogos como Ward H. Goodenough (1963), Michael Moerman (1965) e Roberto Da Matta (1986); sociólogos como Erving Goffman (1963), Mccall & Simmons (1966) tem trabalhado a noção de identidade e procurado mostrar como o pessoal e o social estão interconectadas, permitindo-nos a toma-las como dimensões de um mesmo inclusivo fenômeno, situado em diferentes níveis de realização

domingo, 8 de dezembro de 2013

História Comparada- Conceito e Historiografia


Conceito: é uma metodologia histórica que se encontra em desenvolvimento no Brasil

Para Paul Veyne a metodologia comparativa foi essencial para a renovação das pesquisas históricas (VEYNE, 2008:21)

Vertentes da História Comparada

Weber: Podemos pontuar que as historiadoras Neyde Theml e Regina Bustamente convergem, em seus estudos, com as ideias do historiador Peter Burke, ao assinalar que o viés comparativo se desenvolveu no campo sociológico através dos trabalhos de Max Weber. Já Peter Burke, o método comparado teria entrado em voga na teoria social, durante o século XIX. Por meio de análises comparadas sobre os pontos de divergências entre cada cultura, Weber, traçou as similitudes das práticas capitalistas. A vertente Weberiana comparativa almejaria analisar sociedades de períodos distintos, para encontrar os pontos comuns e os elementos que são singulares. A corrente citada pode ser compreendida atuando através do conhecimento daquilo que é singular/específico em determinado grupo, mediante o conhecimento do que estaria ausente ou presente nas outras sociedades.

Freud: Em Totem e tabu, obra do começo do século XIX, verificamos que o autor estabelece uma análise comparativa entre os práticos e formas de organização dos indivíduos considerados "primitivos" em diversas sociedades, mas tendo como base os nativos da Austrália. O interessante nas análises de Freud é aquele também se vale da comparação ao observar segmentos sociais europeus tidos como "civilizados". Sua linha comparativa aponta uma reflexão sobre as especificidades existentes.

Nobert Elias: O sociólogo alemão Nobert Elias, na obra "O processo civilizador", valeu-se de método comparativo entre sociedades tidas como "complexas" e "menos complexas". O autor centra sua comparação nas diferenças temporais e espaciais. Para o historiador José D'Assunção Barros, podemos detectar semelhanças entre os trabalhos de Elias e Weber, pois ambos sociólogos se valeram de uma abordagem centrada na historicidade das sociedades pesquisadas. 

Marc Bloch: Analisando os escritos de Theml e Bustamente, encontramos considerações sobre o método comparativo do historiador francês Marc Bloch, que difere da abordagem weberiana de comparação. Para as duas pesquisadoras, na vertente comparada de Bloch haveria uma concentração de análises nas similitudes das sociedades estudadas e as culturas refletidas, que tenderiam a ser próximas geograficamente e contemporâneas.

Marcel Detienne: Foi um historiador francês e organizador, junto a Jean-Pierre Vernant, do Centro de Pesquisas Comparadas sobre as antigas. A Abordagem de Detienne se concentra em analisar o que seria heterogêneo, nas suas produções (antropologia). Propõe que a pesquisa histórica elabore comparações pautadas em recortes espaciais e temporais considerados diferentes. Essa metodologia pode ser aplicada em reflexões relacionadas a sociedades antigas e na atualidade, nas consideradas simples e nas complexas, podemos afirmar que a tal enfoque se centra nas especificidades culturais.

OBS: Estes apontamentos foram elaborados com base na aula do Prof. Msc. Carlos Eduardo Campos, na UERJ, do NEA (Núcleo de Estudos Antigos).


sábado, 11 de maio de 2013

O Historiador e sua Atuação!


Muitos me questionaram o motivo de não escrever ainda em meu espaço sobre o Campo da História ou o Ser Historiador! Na verdade acredito que tudo tem seu tempo correto, afinal é exatamente isto que a ciência histórica nos faz refletir com diversos exemplos. Venho hoje aqui ressaltar minha visão sobre o que é exatamente SER UM HISTORIADOR e como ATUAR NO CAMPO DE HISTÓRIA.

A Missão do Historiador é dar vida aos fatos, ser o mediador entre os documentos históricos e a atualidade. O que me deixa extremamente preocupada é como isto ocorre! Praticamente ensinar ou pesquisar um fato vai além do que escreve-lo, o historiador deve compreende-lo! Com efeito, como não vivenciou o processo histórico estudado, sua tarefa é procurar os fragmentos e, por meio destes, construir afirmações possíveis. Ao escolher determinado objeto de pesquisa, conseqüentemente, há que se considerar que o método, a forma pela qual se movimenta em meio à documentação, não está separado da escrita , resultado do trabalho. E isso interfere na determinação do que seja a História, pois, felizmente, não se faz um trabalho dividido em duas partes: na primeira, são descritas as referências teórico-metodológicas; na segunda, o “restante” da pesquisa composto pelo conteúdo. Por essa razão, as questões relativas à natureza da História não devem ser pensadas somente no resultado final do trabalho, mas sim de forma múltipla, isto é, no olhar em conjunto lançado para os objetos, métodos e documentação.

A cada década passada a forma de se compreender o conceito de História e do verdadeiro papel do Historiador vem mostrando o quanto este cientista deve ser atuante em diferentes linhas de pesquisas de grande importância para sabermos quem somos e de onde viemos, dentre outros pontos. O positivismo privou a interpretação de diferentes fontes documentais hoje vistas como fundamentais num processo de pesquisa, pois os documentos oficiais eram somente estes como portadores da suposta verdade histórica. Sabemos que com os movimentos, como a Ecole dos Annales, Marx e outros, trouxeram diversas interpretações desta área. Em um trecho, posso trazer uma citação de José D’ Assunção Barros:

"Isolado no seu pequeno mundo, o historiador deve enfrentar os
riscos de sua hiper-especialização ao mesmo tempo em que recebe
estímulos sociais e institucionais para aprofundá-la cada vez mais.
[...]. O historiador das últimas décadas do século XX viu-se assim
autorizado, tanto pela tendência à hiper-especialização do homem
moderno como pelas novas modas historiográficas, a cuidar
zelosamente de seu pequeno canteiro, como se nada mais importasse
além de uma rosa rara"

Atuar como Historiador é propiciar a abertura da mente humana contemporânea para que nossos contextos estão em constante transformações, e que a História é essencialmente humana em suas causas e consequências de diferentes fatos que permeiam a linha do tempo, desde a pré história até os dias de hoje E por isso trago mais uma visão do autor:

"Não são portanto os domínios privilegiados pelos historiadores das mentalidades que definem o tipo de história que fazem, mas sim a dimensão da vida social para a qual os seu olhares se dirigem: o universo mental, os modos de sentir, o âmbito mais espontâneo das representações coletivas e, para alguns, o inconsciente coletivo"


Então eu digo! Faça História se realmente estiver pronto a ser o transformador de mentes, ir além do que compreender o fato histórico, seja a liga entre a mente do passado e a geração do futuro. Ser Historiador é atuar no tempo como afinador da verdade e da essência humana!